Cinema, Crítica de Filme

Entrevista Com o Demônio | Crítica

Em um ótima dinâmica, Entrevista Com o Demônio usa da sua estrutura para envolver o espectador.

Um programa que não vai bem em audiência, acaba buscando soluções para trazer o espectador de volta ou tentar voltar à disputa por um lugar de relevância. O apresentador Jack Delroy (David Dastmalchian) aproveita as festividades do Halloween para retornar aos dias de glória, para isso, ele traz uma entrevista com uma garota que diz que está possuída por uma entidade chamada ‘O Rastejante’.

O filme dirigido pela dupla Cameron Cairnes e Colin Cairnes mostra apenas o programa daquela noite e alguns flashbacks para explicar algum elemento. E isso já um dos destaque da história, ele prefere envolver o espectador com o programa, como se estivéssemos assistindo apenas esse especial.

Por ser linear, a montagem traz os bastidores e os intervalos como algo importante, por isso temos cenas em preto e branco para deixar claro o que foi mostrado naquela noite, e com as divisões de quadros/entrevistados seguimos dentro da trama principal sem dificuldades.

Não há uma atmosfera de terror ou tensão pelo filme inteiro, o roteiro segue o programa e há os momentos para trazer o ocultismo, e aí trazer o sobrenatural à tona, e mesmo assim, o filme se preocupa em trazer outros pontos e aspectos, principalmente os que não acreditam no que vêem.

Mesmo com ótima interpretação de David Dastmalchian (Esquadrão Suicida), o elenco secundário tem boas interações e agregam novas subtramas ao filme, seja o assistente de palco Gus (Rhys Auteri), o Dr. Carmichael (Ian Bliss) que está no programa para ser o contraponto do ocultismo, e a atriz Ingrid Torelli que precisar mostra a personalidade suave e até mesmo fofa de Lily, e as cenas pesadas da entidade.

Além de fotografia e filmagem que remetem a um programa antigo de televisão, os efeitos visuais e especiais também seguem nessa linha, com muitos efeitos práticos e diálogos fortes e contundentes, sejam para explicar ou dar mostrar o passado do apresentador.

O programa segue e a cada novo bloco, temos alguma novidade, mesmo que com os mesmos personagens, há sempre algo para mover o espectador, seja pelo balanceamento dos personagens, a motivação e ganância do apresentador ou a busca pela verdade, se Lily está ou não possuída. 

A atmosfera troca a cada novo ato, com a facilidade de um diálogo, ou troca de câmera, para mudar o andamento da história, e nem sempre é para o ocultismo que vamos seguir, até mesmo conversas sobre audiência aparecem nas mudanças e seguimos presos na entrevista.

A entrevista que dá nome ao filme é o ápice claro, mas a forma com o roteiro trabalha é intensa, seja pelo pouco tempo de tela, pelos efeitos e interpretação da atriz, queremos mais e torcemos para novos momentos.

Mesmo com excessos e muitos personagens em cena, Entrevista Com o Demônio é elogiável por saber claramente que mensagem quer passar, e não precisa assustar o espectador com simplicidades para conseguir sua atenção, ele tem uma história para contar e acaba sendo um exemplo de como o terror é inventivo e precisa de pouco para uma boa trama.

NOTA: 4/5

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