Cinema, Crítica de Filme

Orgulho e Revolução | Crítica

Dirigido por Alejandro Marín (La filla d’algú), o longa mostra a história do início do movimento LGTBQIA+ no ano de 1977 em na Espanha, na cidade de Sevilla. 

A abordagem do diretor impressiona na execução e no impacto emocional. Mistura a história marcante com a comédia. A narrativa constrói de maneira hábil momentos de angústia e desânimo, sombras e terror, que se integram com uma naturalidade surpreendente em uma trama essencialmente alegre e vingativa.

O filme narra a história de Miguel (Omar Banana), um jovem talentoso que sonha em competir em um concurso musical na TV. Embora a história siga ele e suas ambições aos dezessete anos, a verdadeira protagonista é sua mãe, Reme (Ana Wagener), que no início sente vergonha da orientação do filho, mas ao longo da trama transforma-se em uma figura social notável, uma esposa e mãe corajosa que enfrenta e sobrevive ao regime que ocorre no país.

Ana Wagener se destaca com sua excelente atuação e convicção em sua personagem, sendo de longe a parte mais sólida de um filme que retrata o passado. A estreia de Omar Banana é excepcional e indica que ele está se dedicando completamente à sua futura carreira cinematográfica. O elenco de apoio é excelente, com Alba Flores impressionante como Jesús Carroza. 

Do ponto de vista técnico, o filme se destaca pelos figurinos e maquiagem extraordinários que nos levam a atmosfera dos anos 70. A fotografia, direção de arte e cenários são excelentes, e garantem a grandiosidade desta produção.

Nesse equilíbrio elaborado, são despertas emoções intensas como riso, tristeza, raiva e uma gama de outras sensações. A trajetória desses personagens são a essência da narrativa que corre em paralelo à jornada coletiva, que atravessa da obscuridade dos bares clandestinos em becos sombrios para a visibilidade e ação do movimento em espaços abertos, onde querem reivindicar seu lugar em uma sociedade que os exclui.

É exatamente por essa razão que este filme conquista a atenção do público, pois aborda a dor e as injustiças enfrentadas, mas que levou a conquistas que moldaram o mundo contemporâneo.

O filme dispõe a nos lembrar, com encanto e bom humor, do preço dos direitos que hoje consideramos algo necessário, e como era viver sem eles. Vale a pena assistir, tanto para obter boas risadas, quanto para se divertir.

Disponível no Looke

Nota: 5/5

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