Nunca Mais Abismos reúne uma série de performances criadas por artistas com deficiência, ou Artistas Defs (termo escolhido pelo próprio projeto). Essa experiência de relaxed performance pode ser conferida no Sesc Pompeia, entre 1º de 10 de março.

Tendo como ponto de partida a pesquisa de Edu O. sobre a bipedia compulsória, Nunca Mais Abismos reúne uma série de performances criadas por artistas com deficiência, ou Artistas Defs (termo escolhido pelo próprio projeto). Essa experiência de relaxed performance pode ser conferida no Sesc Pompeia, entre 1º de 10 de março, de quinta-feira a sábado, das 17h às 21h, e no domingo, das 15h às 19h.
O projeto ainda conta com o Conversa Aleijada, um ciclo de bate-papo com os artistas Defs, que criam uma reflexão sobre suas pesquisas e práticas artísticas, considerando a deficiência como propulsora de seus processos criativos. Os encontros são mediados por Edu.O e acontecem nos dias 5 e 6 de março, às 19h.
Nunca Mais Abismos propõe novas narrativas à história que insiste nos constantes relatos de exclusão, abandono e violência, lembrando sempre dos abismos gregos onde eram jogadas as crianças que nasciam com algum tipo de deficiência na antiguidade. O projeto também celebra as inegáveis mudanças provocadas pela presença das pessoas com deficiência, ao longo do tempo, rompendo as lógicas normativas e promovendo mudanças nas diversas áreas como ciência, arte, tecnologia, comunicação, arquitetura etc.
O trabalho teve sua estreia em 2022, no Festival Theaterformen, na cidade de Braunschweig, na Alemanha, e, em 2023, participou da Bienal Sesc de Dança, na cidade de Campinas. Agora, na nova apresentação no Sesc Pompeia, o projeto foi reformulado e ganha um formato inédito.
Ao longo de sete dias, com quatro horas diárias de relaxed performance, Nunca Mais Abismo reúne oito dos principais nomes de artistas Defs no cenário da arte contemporânea brasileira. São eles Edu O., Estela Lapponi, Jania Santos, Moira Braga, Jéssica Teixeira, Elinilson Soares, Ariadne Antico e Quixote. O trabalho conta ainda com a presença do artista Thiago Cohen e da intérprete de Libras e performer Cintia Santos, as únicas pessoas sem deficiência do elenco.
Com origem no Reino Unido, na década de 1990, a Relaxed Performance é uma proposta que visa repensar as convenções dos espaços cênicos e tornar as performances mais acessíveis aos artistas e ao público, proporcionando um espaço de acolhimento às mais diversas experiências. Esse tipo de trabalho difere das performances de longa duração ou das instalações artísticas por ter como princípio as experiências sensoriais no contexto da deficiência e da acessibilidade.
O Galpão do Sesc Pompeia será transformado gradativamente pela tessitura de uma grande rede feita por nós, escritas e fotografias. Durante as apresentações, três momentos reverberam entre si e criam espaços de fluência e troca entre artistas, público e espaço, compreendidos como: Nós, Emergir e Silêncio.
Confira abaixo uma breve descrição de cada um desses momentos:
NÓS
Quando: De quinta a sábado, das 17h às 19h, e no domingo, das 15h às 17h
Nesta performance coletiva, durante as duas primeiras horas, uma ação repetida inúmeras vezes transforma, gradativamente o espaço, afirmando incisivamente: NUNCA MAIS ABISMOS. À sua maneira, se desejar, o público pode ser parte dessa transformação ou compartilhar do mesmo espaço de convivência, apreciando a instalação durante o tempo que lhe aprouver.
EMERGIR
Quando: De quinta a sábado, das 19h às 20h; e no domingo, das 17h às 18h
No segundo momento, pequenos solos (performance, dança, palhaçaria, poesia e música) revelam as individualidades e estratégias de cada artista para impedir seus abismos pessoais.
SILÊNCIO
Quando: De quinta a sábado, das 20h às 21h, e no domingo, das 18h às 19h
Momento em que a própria instalação apresenta suas dinâmicas e acolhimentos sem a presença das pessoas artistas.
ZULEIKADA
Quando: 10 de março, das 18h às 19h
O projeto encerra com a performance Zuleikada, de Estela Lapponi, que consiste numa Silent Disco onde as pessoas dançam com fones de ouvidos.
CONVERSA ALEIJADA
Quando: 5 e 6 de março, às 19h
Com mediação de Edu O., o projeto Conversa Aleijada propõe o diálogo entre artistas Defs e a reflexão sobre suas pesquisas e práticas artísticas, considerando a deficiência como propulsora dos processos criativos e importante ferramenta na produção de conhecimento no campo das artes. Tendo como base a Teoria Crip ou Teoria Aleijada, apresentada por Robert McRuer, esses encontros atualizam os modos de compreensão sobre deficiência, arte e acessibilidade cultural.
Programação Conversa Aleijada
05/03 – Moira Braga, Jania Santos, Elinilson Soares e Quixote
06/03 – Estela Lapponi, Ariadne Antico e Jéssica Teixeira
Serviço
Quando: 1º a 10 de março, de quinta a sábado, das 17h às 21h, e no domingo, das 16h às 20h
Sesc Pompeia – R. Clélia, 93, Água Branca
Ingressos: entrada gratuita
Duração: 4 horas
Classificação: livre
Acessibilidade: para todos os públicos