Chama a Bebel traz uma história interessante sobre meio ambiente e tem Giulia Benite esplêndida como protagonista. Confira a crítica completa.

Quer mudar o mundo passa por nós e pelas decisões que tomamos no cotidiano, seja por decisão própria ou um agente transformador, no filme dirigido por Paulo Nascimento (Em Teu Nome) conhecemos Bebel (Giulia Benite) que quer mudar a relação com que temos com o planeta, começando pela escola que estuda através de um trabalho proposto pelo professor.
O filme acompanha a jornada da garota, que tem que se mudar do interior para a cidade grande, por causa da escola. A personagem enfrenta as adversidades de um ambiente desconhecido, desafia estudantes populares do colégio e até um inimigo poderoso, um empresário da cidade que faz testes laboratoriais em animais, para defender suas causas. Mudar hábitos e comportamentos é sua meta e a sustentabilidade é seu princípio orientador.
Giulia (Turma da Mônica: Lições e Laços) faz uma protagonista forte e principalmente decidida pelos seus atos e falas, o roteiro utiliza de seu empoderamento para bons diálogos e diversos elementos sobre meio ambiente, com uma naturalidade que impressiona, pois não parecem frases de efeito ou elementos forçados.
Além disso, ela traz toda a fragilidade de um momento como esse, de precisar se encontrar em uma nova casa, com os novos amigos e colocar sua causa em prática. O novo núcleo familiar é heterogêneo ao compararmos com a mãe (Larissa Maciel) e o avô (José Rubens Chachá) que ficaram no interior cuidando da lanchonete da família.
As meninas que implicam, ou fazem bullying, com a novata, parece ser retirado de Meninas Malvadas (2004), pois temos a popular que tem suas seguidoras, a única diferença é que Rox (Sofia Cordeiro) é movida pelo dinheiro que o pai possui, e com isso a influência isso traz.
A pauta ambiental é o principal tópico aqui, mesmo com dois núcleos familiares, o filme sempre tem uma forma de trazer esse tema de volta, seja pela construção do projeto, novas atitudes do colégio e avanço da história.
Há diversas inspirações na história recente do Brasil no longa, seja pela libertação dos animais que são cobaias de testes de cosméticos, e as denúncias para a indústria da cidade.
A trama segue a linearidade de uma forma segura, com elementos estruturais e com a escola como o cenário principal, sem grandes mudanças, com poucos pontos de respiro.
Mesmo com as variações de temáticas dentro do meio ambiente, o filme foca apenas na protagonista, deixando os personagens secundários caricatos e aparecendo pelo mesmo motivo.
E falta peso em cenas dramáticas, principalmente as que envolvem o bullying com Bebel (que é PCD), as fake news que a envolve nos atos finais, são graves para não terem uma resolução adequada para uma história que se passa em um ambiente escolar, faltou seriedade, e dar o exemplo.
Chama a Bebel se destaca pelos temas abordados e pela grande atuação de Giulia, se houvesse uma maior preocupação com os temas ao redor do ponto principal, seria um longa ainda mais interessante.
Nota: 3/5
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