Cinema, Crítica de Filme

Silver Haze | Crítica

Filme LGBTQIA+ Britânico/Holandês disponível na Mostra de cinema internacional de São Paulo apresenta uma jornada corajosa e arrebatadora pelos traumas e superações. Confira a crítica.

Dirigido por Sacha Polak (Dirty God), Silver Haze é um filme que proporciona uma experiência cinematográfica impactante e profundamente emocional. A diretora escreve o roteiro com experiências vividas por Vicky Knight, que faz a protagonista do longa.

Franky (Vicky Knight), uma jovem enfermeira que possui questões não resolvidas em sua vida, como mãe  alcoólatra, e sua irmã Leah (Charlotte Knight, irmã de Vicky na vida real) viver em um relacionamento abusivo. 

Além disso tudo, Franky enfrenta questões de seu passado, pois quando criança sofreu graves queimaduras em um incêndio no bar de seu pai, e ela crê que o acidente foi causado pela mulher, com quem seu pai tinha formado uma nova família, embora ela não tenha provas disso.

A protagonista enfrenta seus problemas fumando maconha e estabelecendo pensamentos de vingança, até conhecer Florence (Esmé Creed-Miles) uma jovem que sobreviveu a uma tentativa de suicídio e vai parar no hospital que Franky trabalha.

As duas então, se sentem atraídas uma pela outra e começam um relacionamento e Franky acredita que pode finalmente superar seus traumas ao morar com Florence, seu irmão autista e sua gentil avó Alice (Angela Bruce) que recebeu um diagnóstico de câncer terminal.

Franky então percebe que além de ter que enfrentar seus problemas, terá que ajudar Florence, que tem suas tendências suicidas e problemas alimentares, além de lidar com o câncer.

A combinação do relacionamento gera uma ambientação cheia de dramas emocionais e explosivos, visto que as duas têm rotinas extenuantes. 

Uma das principais qualidades do filme é a habilidade de Sacha Polak em mergulhar na complexidade das emoções humanas. Ao longo da narrativa, somos levados a acompanhar a jornada das personagens e lidar com suas cicatrizes físicas e psicológicas.

A cinematografia do longa é deslumbrante, com cenas belamente filmadas, criando uma atmosfera que reflete os conflitos internos de Franky e Florence. O uso de cores e luzes é especialmente eficaz em transmitir o turbilhão emocional que as personagens estão vivenciando.

O destaque do filme, no entanto, é a incrível performance da atriz principal, Vicky Knight. Ela traz uma interpretação poderosa e vulnerável, capturando a dor, a raiva e a determinação de sua personagem de forma intensa e autêntica. 

O filme consegue abordar inúmeras questões importantes, como a resiliência humana diante das adversidades, a superação de traumas, aceitação de si mesmo e a representatividade LGBTQIA+. Silver Haze consegue explorar esses temas de maneira sensível e realista, sem cair em clichês ou sentimentalismo em excesso.

Nota: 5/5

*Filme visto na 47º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

Não Parece Mas É Sério

Youtube: Canal do Youtube – Não Parece Mas É Sério

Facebook: facebook.com/naoparecemaseserio

Instagram: @naoparecemaseserio

TikTok: @naoparecemaseserio 

Deixe um comentário