Documentário francês disponível na Mostra de cinema internacional de São Paulo retrata questões sociais e culturais ao mostrar o trabalho da mineração em Burkina Faso. Confira a crítica completa.

Dirigido por Boubacar Sangaré, o longa possui uma abordagem autêntica e honesta. Através das histórias interligadas de diferentes personagens, somos expostos às complexidades da vida no Burkina Faso, desde a opressão política até as lutas diárias da população. Essa representação sincera mergulha o espectador na realidade do país, despertando empatia e conexão emocional.
Acompanhamos a história do adolescente Rasmané, que todo mundo chama de Bolo. Seus pais não têm muitas condições financeiras, então aos 16 anos junto com seus amigos, ele procura ouro no sítio Bantara, onde muitos jovens vieram de toda Burkina Faso na esperança de melhorar suas vidas. O diretor acompanhou o menino durante três anos para o documentário..
Então, o espectador acompanha de perto toda questão social e cultural da mineração de ouro que ficou mais popular em Burkina Faso devido à sua crise financeira. Vemos que é um trabalho árduo e perigoso, inclusive, no documentário ocorre uma explosão de um gerador que é usado para bombear água e mesmo sendo algo arriscado, existem tendas cheias de pessoas que trabalham no local.
Além de Rasmané, é no meio daquelas tendas que muitos jovens crescem. Missa e Dramane têm apenas 12 e 13 anos e mesmo assim, fazem um cansativo trabalho empurrando um carrinho com sacos que pesam mais de 50 quilos de terra, em troca de pouco dinheiro.

Eles trabalham em situações precárias, sem nenhum tipo de proteção, diariamente, para encontrarem ouro e serem pagos por isso. Mesmo eles sendo menores de idade.
Embora o documentário se trata sobre injustiças sociais e financeiras, não é essa mensagem que o diretor quer passar, e sim um reconhecimento pelo trabalho da mineração no local, ele foca em contar a história de seu protagonista.
A direção de arte é surpreendente. As paisagens do Burkina Faso são retratadas de forma deslumbrante, capturando a beleza da natureza e ajudando a criar uma atmosfera envolvente. Os cenários também refletem a pobreza e a desigualdade social, reforçando os temas do filme de maneira impactante.
O elenco também merece destaque, com personagens intensos que trazem emoções para o espectador que sente sua humanidade, sendo cativante e profundo.

A trilha sonora complementa as cenas ao longo do filme, contribuindo para a atmosfera e o contexto emocional das sequências. A música é bem selecionada e ajuda a criar momentos memoráveis, tornando a experiência cinematográfica ainda mais sensorial.
O longa também se destaca pela sua coragem ao abordar questões sociais e políticas de maneira direta. O filme confronta a violência e a opressão governamental de forma contundente, incitando à reflexão e ao questionamento da escassez financeira.
A Golden Life merece ser aplaudido pelo seu olhar autêntico sobre o Burkina Faso e pela maneira como aborda os desafios enfrentados pela população. Com uma narrativa brilhante, direção de arte impressionante, elenco memorável e uma trilha sonora envolvente, é uma experiência cinematográfica que desperta emoções e proporciona uma reflexão profunda sobre a condição humana.
Nota: 5/5
*Filme visto na 47º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo
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