Cinema, Crítica de Filme

Assassinos da Lua das Flores | Crítica

Estrelando Robert De Niro e Leonardo Di Caprio, filme de Scorsese traz história real do extermínio dos indígenas Osage, em 1920, e tem tudo para marcar presença na próxima temporada de premiações

Em 3h26 de duração, o novo longa de Martin Scorsese reúne Leonardo Di Caprio e Robert De Niro em uma história real de faroeste que não foca no “bang-bang”. Inspirado no best-seller de David Grann, Assassinos da Lua das Flores se passa em 1920, na região de Oklahoma (EUA), retratando um momento crítico para os Osage, tribo de indígenas nativos americanos que enriqueceu após encontrar petróleo em suas terras. Após uma série de assassinatos misteriosos de integrantes da tribo, uma investigação tem início.

Adaptar uma obra literária para o cinema não é simples. A tarefa se torna ainda mais complexa quando se trata de uma história real. Scorsese correu o risco de criar um filme que poderia não agradar ao público nem trazer novas discussões à tona. Porém, colocar os assassinos no foco da narrativa dos crimes contra o povo Osage foi um acerto. Ao contrário do livro, que também tem seu mérito em focar na grande investigação que fez parte dos primórdios do FBI, o filme dá destaque à causa indígena, mostrando as aflições e dificuldades enfrentadas por eles.

Robert De Niro e Leonardo DiCaprio formam o par perfeito como os assassinos William Hale e Ernest Burkhart, respectivamente. A relação entre tio e sobrinho mostra os abusos de poder e dominação de Hale sobre Ernest não tirando, porém, a corresponsabilidade do sobrinho pelos crimes cometidos. É assim que um completa o outro, sendo impossível imaginar outra dupla de atores para os papéis.

Talvez a maior surpresa do filme seja Lily Gladstone como Mollie Burkhart. A atriz destaca-se no papel da esposa de Ernest Burkhart, um dos assassinos responsáveis pelo extermínio de sua família. Gladstone também forma uma ótima dupla com DiCaprio deixando o público em dúvida se a relação dos dois envolve amor além da ganância do marido. Mollie é interpretada de maneira brilhante, com um equilíbrio entre sensibilidade e destreza da personagem.

A direção também é primorosa ao saber lidar sem pressa com todos os minutos disponíveis para a narrativa. Martin Scorsese dá tempo ao tempo e não se preocupa em correr com os acontecimentos, construindo uma atmosfera cheia de detalhes por meio de uma dinâmica agradável, que prende a atenção do começo ao fim. 

Os crimes cometidos pela dupla de assassinos e o sofrimento das vítimas indígenas puderam ser construídos com detalhes, graças às excelentes escolhas de fotografia e de trilha sonora. Complementares, várias cenas levam o público à tensão devido à acertada união entre Fotografia e Música. Os figurinos e caracterização dos atores também entram nos elementos que trouxeram maior fidelidade com a realidade. 

Assassinos da Lua das Flores chega aos cinemas como uma obra-prima de Scorsese, e, com toda certeza, vai marcar presença na próxima temporada de premiações. 

NOTA: 5/5

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