B.O. tem boas piadas e diverte o espectador, faltou apenas aprofundar os temas pelos seus episódios. Confira a análise completa da série que está disponível na Netflix.

A nova série de comédia nacional para a Netflix, conta a história de Suzano (Leandro Hassum), nascido e criado na fictícia Campo Manso, no interior fluminense, é transferido para o olho do furacão na capital carioca. As confusões do novo delegado colocam a 8ª DP do Rio de Janeiro abaixo. Nenhum de seus colegas, sempre prontos para a ação, acredita que ele vai durar muito tempo ali, mas seus métodos nada convencionais aliados ao seu bom coração podem ser justamente a arma secreta que esse grupo precisa para neutralizar o crime.
O roteiro tem boas piadas e momentos engraçados, protagonizados por Hassum, mas nos 8 episódios, temos a sensação de mesma história, com poucos aprofundamentos e uma narrativa principal que pouco se altera.
A série tem uma estrutura que lembra Brooklyn Nine-Nine, pelos seus personagens caricatos, com personalidades bem estabelecidas, e tudo se passa pela delegacia do 8 D.P, não há nenhum personagem que lembre a sitcom americana, mas a dinâmica que passa por um personagem, e ele interagindo com os outros, é lembrada.
Hassum comanda as principais ações, explorando as habilidades dos secundários, como Luciana Paes (Sinfonia da Necrópole) interpretando a inspetora Mantovani, Jefferson Schroeder (Minha Mãe É uma Peça) vivendo o escrivão Estevão, Babu Carreira (Do que Riem?) dando vida à investigadora Guerra, Taumaturgo Ferreira (O Cravo e a Rosa) no papel de Pardal e Digão Ribeiro (Eduardo e Mônica) como Rabecão.

Mesmo sendo caricatos, todos tem seus momentos e boas cenas, mesmo que simples, tem as suas contribuições a trama, e transmitem a brasilidade de um local como esse, seja no excesso de burocracia para um B.O. a falta de sistema e investimentos ou local público que precisa de café para funcionar.
A história pode não se aprofundar nos 8 episódios, mas a dinâmica entre eles é interessante, e funciona em diversos momentos, mesmo no humor que lembram esquetes humorísticos do que algo conciso e que vai permear os próximos episódios.
O espectador recebe uma trama explicada logo nos primeiros episódios, e conforme ele avança na história, ela não se desenvolve e começa a se repetir, ao menos temos boas cenas ligadas a tudo. Um exemplo é o amor por Sandy e Junior de um dos personagens, não há um episódio que não seja citado.
Por ser um produto Netflix, ela poderia não brincar com o ‘chefe’, mas nem isso faz com que a série brinque com tudo a rodeia, e com as personalidades dos personagens, o que torna o trunfo dela em meio a uma trama principal fraca.

Essa trama fraca se mostra algo problemático, já que há episódios que não agregam a série, por mais que sejam engraçados. Não há como surpreender o espectador em nenhum momento, mesmo nos arcos dramáticos entre Hassum e Luciana Paes, e o delegado que tenta pegar o lugar de Suzano.
B.O. não é um série marcante, porém é uma saída interessante para quem quer algo despretensioso para assistir, depois de um dia difícil ou só quer um passatempo na plataforma de streaming, ao menos tem brasilidades que são legais, ver uma série, que parece inicialmente parodiando uma, e se liberta depois do primeiro episódio também é ótimo.
Só queria um encontro entre Suzano com Sandy e Júnior em algum momento, pra aquecer meu coração.
Nota: 3/5
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