Tempos de Barbárie – Ato I: Terapia da Vingança mostra de perto as transições do comportamento humano em meio a um ato trágico. Confira a crítica completa.

Como seguir em frente após um evento que mudou a sua vida? Tempos de Barbárie – Ato I: Terapia da Vingança conta a história de Carla (Cláudia Abreu) que após uma tentativa de assalto, sua filha é baleada e fica em estado grave, e agora ela precisa tentar seguir em frente, mas como as investigações não progridem, ela tenta seus próprios métodos.
O roteiro se fixa em Carla, e a partir da protagonista, temos diversas nuances a serem trabalhadas, com subtramas intensas e a troca de sentimentos, que algo tão avassalador pode causar, principalmente em uma mãe.
O filme até parece seguir o lado de justiça pelas próprias mãos, e até tem essas cenas, mas a profundidade dos elementos vão além do basal, e constrói uma narrativa profunda e cheia de momentos dramáticos.
Esse drama passa pela atuação de Cláudia Abreu, seja pela intensidade ou pelas trocas de elementos que ocorrem pelo longa. E meio a isso, tem que lidar com a dor e luto com a filha. Essas camadas da sua personagem mudam, e continuamos presos a história, para saber para onde ela irá caminhar.

O elenco secundário, que inicialmente parecia um suporte para trama principal, ganha aos poucos espaço para se desenvolverem e serem incorporados na rotina de Carla, Julia Lemmertz e Alexandre Borges parecem pequenas participações, mas são fundamentais para a sequência de atos.
Julia atuando com a “psicóloga” de Carla e do grupo, são as sequências para trazer os sentimentos paras cenas e como a protagonista está lidando com o seu redor, e quais seus planos para o futuro, e ainda temos outras pessoas que estão lidando com o sentimento de perda de formas diferentes.
O roteiro pode até pensar em momentos de respiro, mas os temas não seguem por aí, tudo é duro, seco, difícil de engolir e bem estruturado. Sendo incorporado à narrativa central aos poucos, e mesmo com algumas conveniências, ele segue seu caminho.
E temos também as decisões questionáveis da protagonista ao lidar com os problemas, se ela está correta ou não nas escolhas que toma. A montagem linear e a violência imposta, são bons conceitos para uma história como essa.

A questão da Parte I não necessariamente parte para um ideia de franquia, e sim em abordagens, já que transformações em todos que estão no longa, e há um bom espaço para ser explorado em continuações ou outros produtos.
Tempos de Barbárie – Ato I: Terapia da Vingança demora a mostrar a que veio, e sua cara de ‘justiceira’ demora a cair, mas funciona bem ao trabalhar temas duros, sem deixar a realidade escapar.
Nota: 4/5
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