Cinema, Crítica de Filme

Fale Comigo | Crítica

Fale Comigo parte do lugar comum para uma narrativa densa e cheia de nuances, para te deixar assustado e apreensivo. Confira a crítica completa.

Os diretores fundadores do canal do Youtube RackaRacka criaram, desenvolveram e dirigiram o filme Fale Comigo, e depois de diversas exibições com sucesso, o longa foi comprado pela A24, a produtora que costuma lançar narrativas diferentes, e principalmente, de locais fora dos grandes eixos, como os Estados Unidos.

O longa se passa na Austrália e conta a história de um grupo de amigos que encontra uma misteriosa mão embalsamada e descobre que ela permite invocar espíritos, e quando um deles comete o erro de se conectar por tempo demais, o mal está no lugar, não retorna para a mão.

A narrativa parte desse lugar conhecido, afinal, quantas histórias de terror já vimos, que começa com um grupo de jovens que cometem um erro grave com o paranormal e este grupo está fadado a ser destruído pelos espíritos. Fale Comigo só perde a sua criatividade neste ponto, o restante traz um terror intenso, que prende o espectador, seja pelas atuações, o thriller psicológico e explorar cada detalhe. E ele faz isso em apenas 1h30.

Mia (Sophia Wilde) é protagonista que após se conectar com a mãe falecida em uma das sessões, deixa a porta aberta para os espíritos, mas os personagens secundários tem sua importância para sustentar essa história e são predominantes para a sua jornada.

Estas pequenas tramas passam pela atuação perfeita de todos, como cada um reage diferente a mão, todos tem cenas interessantes, e com isso temos o aprofundamento de cada um, para aumentar o sentido e sua relevância. Com isso, o roteiro foge de qualquer clichê ou saída fácil para seguir em frente.

A filmagem e maquiagem auxiliam no processo de imersão na trama; os planos escolhidos mudam de acordo as emoções em cena, e se movimentam quando a mão está em cena, para deixar o ator em evidência ou mostrar as reações de perto, e as maquiagens são detalhistas que assustam e ficam ótimas na tela.

Quando os espíritos estão em cena, as câmeras mantém a estrutura de incorporar e transitar entre os personagens, e a montagem final entende quando eles precisam aparecer e quando não são necessários.

Por isso que o longa tem sido comparado com thrillers psicológicos, que mexem com a cabeça do espectador, de não deixar claro, a realidade, sonhos ou traumas que estão sendo mostrados através de Mia conforme a história avança.

O único problema que chega a realmente incomodar, é o excesso de cenas noturnas ou de madrugadas, quase não há luz natural ou cenas de ‘dia’, como temos clareza da linearidade da história e da movimentação dos personagens, não havia a necessidade de algo assim. Apenas no final, há algumas libertações neste sentido.

A intensidade de atos e elementos não perde a força e razão em nenhum momento, é elogiável de como temos informações sendo colocadas e boa parte tem suas respostas pela história principal.

Fale Comigo mostra que tramas bem contadas vão sempre se destacar, aqui temos um terror intenso, denso e pronto para entrar na sua cabeça, sem precisar de sustos aleatórios. E até mesmo seu final, deixa tantas aberturas que a sequência (já confirmada) pode ir para tantos caminhos, que apenas nos deixa mais ansioso do que está por vir.

Nota: 5/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

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