Capitu e o Capítulo é uma mistura de referências e literatura, que atrapalham a experiência e a imersão do espectador na história. Confira a crítica completa.

Capitu e Bentinho da obra de Machado de Assis, são conhecidos dos brasileiros, seja por Dom Casmurro fazer parte da vida estudantil ou precisar conhecer a obra para o vestibular. O diretor Júlio Bressane traz esses personagens, não a história central, para a telona.
O longa traz Bentinho (Vladimir Brichta) e Capitu (Maria Ximenes) e a relação com Escobar (Saulo Rodrigues) principalmente, mas o que chama atenção, é como vemos isso, de uma forma quase poética dos fatos, porém não agregam na narrativa, que dificultam a imersão do espectador na narrativa principal.
A mistura entre poesia, os atores e citações não seguem uma montagem esperada. Isso tira o peso do drama das cenas e a sequência de eventos, mesmo em um filme curto.

As interações entre o pequeno elenco também tem estruturas fora do usual, seja pela captação de som, pelo que ocorre na cena em si, ou os momentos que mais parecem uma tentativa de cobrir um espaço entre um momento e outro.
O roteiro usa apenas o relacionamento dos dois casais apresentados, sem profundidade de temas, ou do que os envolve como cidade ou empregos, deixando a carga dramática para pequenos momentos.
Esses momentos são cenas contínuas que unem o texto de Machado de Assis, diálogos centrados nos quatro, porém os avanços são poucos, mesmo com boas cenas.
O protagonismo de Ximenes e Brichta transparece intensidade e camadas de sentimentos, e os planos pensando nesses momentos são profundos, pena passarem rápido demais e serem poucos explorados na sequência.

Vladimir inclusive, carrega todo o peso de ser o Bentinho e a possível traição o consome, sua mudança de comportamento na sequência dos atos é primorosa, como o desgaste que algo assim faria com qualquer um.
Mesmo com a montagem e abordagem diferenciados, a fotografia e os planos se destacam, por serem justamente serem instrumentos diferentes, como se fossem três núcleos.
Capitu e o Capitólio tem um conceito interessante, mas os excessos minam as formas do filme sobressair, como uma adaptação de Machado de Assis, que até possui boas atuações, mas a dificuldade de se ligar com este filme, com as diversas trocas atrapalha a experiência.
Nota: 1/5
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