A Noite do Dia 12 traz um bom suspense policial, mais intimista, e retrata bem o machismo enraizado na sociedade. Confira a crítica completa.

A noite do dia 12, dirigido por Dominik Moll, e já vencedor de 7 prêmios César – inclusive de Melhor Filme – chega ao Brasil justamente no próximo dia 12, trazendo uma trama de investigação baseada em um fato real.
O longa gira em torno de Yohan (Bastien Bouillon), que se torna recentemente capitão da polícia investigativa e já recebe o caso mais complicado de sua carreira até então: o assassinato a sangue frio de uma jovem de 21 anos, Clara Royer (Lula Cotton-Frapier), que é queimada viva por um homem misterioso enquanto voltava de madrugada para casa.
A atuação de todos os personagens principais e coadjuvantes são intensas e conseguem transmitir para o público a sensação de impotência que sentem por não encontrarem o assassino. A fotografia é certeira, seja na iluminação ou nos cenários, além da boa escolha de trilha sonora com um tom melancólico.
O filme vai apresentando vários suspeitos ao decorrer de quase duas horas, o que faz o espectador sempre desconfiar e mudar sua opinião sobre quem cometeu o crime. Além disso, vamos acompanhando a agonia e a obsessão de Yohan pela resolução do caso, que nunca chega.

Este se difere da maioria dos filmes sobre crimes, que no final temos a satisfação de ver o culpado sendo punido, pois neste nunca descobrimos quem é o real incendiário que tirou a vida de Clara. Mesmo que termine com um certo desconforto, fica claro que esta é a sensação que o filme quer nos passar, assim como o investigador que nunca chega a solução, nós saímos do cinema sentindo que está faltando algo.
O filme embala em um ritmo frenético, cavando cada vez mais fundo na vida pessoal de Clara e os homens com quem se relacionou, o que mostra claramente que as pessoas ao redor a culpabilizam (mesmo que sem intenção) por ter se envolvido sexualmente com tantos parceiros. Fica claro como o machismo enraizado muda a visão e o tratamento das pessoas quando as vítimas são mulheres, que as questionam e punem-as mesmo depois de sua morte.
No fim, uma das cenas mais recorrentes, que é Yohan andando incansavelmente de bicicleta em círculos no velódromo, se torna marcante ao vermos que ele finalmente saiu de lá e agora pedala a céu aberto, entre as árvores, o que mostra sua libertação da obsessão que carregou por anos, literalmente parando de correr em círculos e tendo esperança que tudo se resolverá um dia.
Este é um filme bem construído, com um toque mais psicológico e intimista, que traz as informações no tempo certo para o público, e que mostra como muitos assassinos de crimes hediondos saem impunes de forma revoltante.
Nota: 4/5
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