Cinema, Crítica de Filme

Derrapada | Crítica

O jovem carioca Samuca vê sua vida virar de cabeça para baixo quando recebe a notícia de que será pai, em filme que aborda família e construção de sentimentos. Confira a crítica completa.

O filme brasileiro “Derrapada” conta a história de Samuca (Matheus Costa), um jovem carioca que vive a vida através da arte, do skate e tentando expressar aquilo que sente fazendo o que gosta. Um jovem que se intitula nada popular na escola e que, por alguns momentos, não confia muito em seu futuro. 

Com a linguagem extremamente jovem, contendo uma boa quantidade de palavrões e gírias, o filme mostra muito bem como é a vida do jovem vivendo no Rio de Janeiro. É um filme fiel a realidade e que retrata a rotina de um garoto que estuda na escola pública e passa por “perrengues” como transporte público lotado e problemas familiares. 

Melina (Nanda Costa) ficou grávida de Samuca durante a adolescência e, de certa forma, o garoto não teve a presença paterna da forma que deveria ser. Sua mãe precisou abandonar e abdicar de muitas coisas para criar o filho e sempre tentou o guiar no melhor caminho possível. 

Na escola, acontecem protestos e ocupações que tem como foco principal buscar a melhoria no ensino e nos estudos dos alunos. Por meio de cartazes, desenhos e artes, os alunos tentam mostrar a sua voz e impor aquilo que eles precisam para chegar ao nível que tanto almejam.

Durante essas palestras Samuca se encontra encantado por Alícia (Heslaine Vieira), uma jovem ativa nos protestos e que está sempre se posicionando e mostrando a voz. 

Desde o começo do filme se cria um clima e uma tensão entre os personagens, mostrando que talvez existisse algum tipo de atração entre eles. O próprio Samuca questiona a si mesmo se Alicia estaria mesmo interessada nele, até que em um ato de coragem, a convida para irem ao cinema e a partir dali tudo muda. 

O jovem casal inicia uma vida sexual ativa, passam grande parte do tempo juntos e parecem criar algum tipo de dependência, onde até mesmo Melina questiona o próprio filho sobre o fato de aquilo já estar o suficiente ou então passando dos limites. 

O filme inteiro possui uma sonora extremamente agradável e que leva a produção a seguir o caminho desejado, o Rio de Janeiro é retratado de uma forma jovem e que acompanha muito bem a vida dos protagonistas. 

Samuca e Alicia parecem ficar um pouco abalados quando ele repara que de fato as coisas estão passando dos limites, no momento em que menos esperam vem a notícia. Eles possivelmente seriam papais na adolescência.

O desespero, ansiedade e o medo são claros, ambos são jovens demais e aquilo não era para acontecer. Envolto por sensações que o corroem, Samuca sai de casa a caminho de Guatacazes, com a intensão de mudar de vida e fugir daquilo que estava acontecendo. 

Após recuperar e se ligar a memórias antigas, ele retorna em um dia. E realmente era real, Alícia vai ao encontro do garoto com a notícia de que seu teste de gravidez dará positivo. Ele se nega a ser como seu pai, não faria a mesma “derrapada” que ele, assumindo o filho e prometendo a si mesmo que faria dar certo. 

Entre um misto de acontecimentos, dúvidas, questionamentos, reprovação e vários dramas familiares. Esse é um ótimo filme para acompanhar aquilo que todos os personagens estão sentindo. Com algumas reviravoltas e surpresas no caminho, as atuações realmente prendem sua atenção e fazem com que você também se coloque na pele de cada um presente no filme. 

Acompanhar a evolução de Samuca e dos personagens que o envolvem é extremamente interessante. O ver lidar com a maternidade ao lado de Alícia, as noites em claro pelo choro do bebê, o início de sua vida universitária e todas as dúvidas e receios que os cercam. 

Nota: 4/5

Contato: Naoparecemaseserio@gmail.com.

Deixe um comentário