A peça baseada no livro de Stephen King, traz atuações intensas de Marcello Airoldi e Mel Lisboa, um cenário impressionante e uma trama que te deixa preso, seja pelas loucura da fã ou pela relação dos dois. Confira a crítica da peça.

Depois de uma temporada de sucesso, que levou mais de 15 mil pessoas ao teatro, Misery reestreia no teatro TUCA (São Paulo) até o dia 31 de março. A peça adapta a história de Stephen King, que já recebeu uma adaptação para os cinemas com o mesmo nome em 1990, que rendeu a Kathy Bates (Annie) o Oscar de melhor atriz.
Essa adaptação nos cinemas, é a principal inspiração do que vemos no palco, seja pelas cores, transições e linearidade de fatos, mas a adaptação teve a preocupação de trazer elementos brasileiros e manter a trama na época histórica em que tudo se passa.
Tudo ocorre sem sustos inicialmente, seja pelo acidente de Paul no inicio, e a enfermeira salvando a sua vida, porém assim como no livro, há um escalonamento de fatos, que sabem te manter dentro do espetáculo.

A trama se mantem dentro da casa de Annie (Mel Lisboa), porém quando há a necessidade se mudar de cômodo, ou de um lugar externo da casa, a transição de cenário é estupenda, usando até mesmo a movimentação dos atores em cena. Esse circuito giratório é formidável, e funcional. Isso sem contar os detalhes que cada parte possui.
O fato de Mel e Marcello já terem feito essa peça, facilita a construção da química e relações, mas a forma com que vemos, impressiona, seja intensidade de Mel, que traz a agitação, dureza e até mesmo leveza a cada cena. E Marcello que precisa se livrar da sua fã número 1, mas entende que ela o mantém vivo.
Além dos dois, temos o xerife (Alexandre Galindo), com um ótimo sotaque, diga-se de passagem, é a única interação fora dos protagonistas, que por mais que tenha uma boa atuação, ele é apenas o ponto externo, e ajuda na passagem de tempo, e tentativa de solucionar o desaparecimento do famoso escritor.
A passagem de tempo pode até seguir mais o longa do que o livro, mas faz algo básico em um trama escrita por Stephen King, manter o espectador na trama e com doses certas de suspense e trocas de posições dos personagens.

O guia principal é o escritor que precisa conquistar o Annie para continuar vivo, dando a peça um ritmo interessante (e as trocas de cenário, colaboram) e com uma cadência que impressiona, onde o espectador mal sente o tempo passar, mesmo os que conhecem a história original ou adaptação cinematográfica.
Como a história tem a tendência de mudar seu rumo, a cada novo momento, é nítido perceber de como a dupla protagonista se entende no palco, seja pelos diálogos ou as formas de transitar, principalmente quando Paul está na cadeira de rodas.
A obsessão da sua ‘fã número 1’, possui as melhores cenas, Mel transborda carisma e outros sentimentos, uma personagem com muitas personalidades e camadas, que vamos recebendo cada vez que passa algum tempo de peça.
Assim como o livro, a passagem de tempo são pelas estações do ano e a melhora de Paul, que muitas vezes, são sutis, que demandam um pouco de atenção. A imersão na peça funciona tão bem, se isto passa despercebido, apenas nos atos finais, a história tem os detalhes necessários.
Misery adapta um grande livro de Stephen King, de uma forma que mesmo com um grande filme como referência, Mel e Marcelo transmitem os sentimentos que esperamos em cena, sem esquecer o suspense marcante do autor.
Nota: 5/5
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Serviço
MISERY, a partir do romance de Stephen King
Temporada: 19 de Janeiro a 31 de Março
Sexta às 20h30, Sábado às 20h00, Domingo às 17h00
Teatro TUCA – Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes
Ingressos: R$ 120,00 (inteira) e R$ 60,00 (meia entrada)*
*20% da capacidade a preço popular: R$ 60,00 inteira e R$ 30,00 meia-entrada.
Vendas: Bilheteria do Teatro de terça a domingo, das 14h às 20h, ou pela internet no site/app da Sympla!
Capacidade: 672 lugares
Classificação: 14 anos
Duração: 120 minutos
Gênero: Suspense
Acessibilidade: Teatro acessível para pessoas com deficiência física e mobilidade reduzida. Sessões com intérprete de Libras aos domingos
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