Em um longa que busca trazer a vida humana com diversas nuances, Rio Doce usa seu protagonista para explorar as camadas de uma vida difícil. Confira a crítica completa.

A estreia de Fellipe Fernandes na direção, é um filme confortável, por ter uma história que gera empatia com facilidade, e com protagonista com camadas reais e ainda utiliza os locais como o seu grande aliado na sua narrativa principal.
No filme, temos Tiago (Okado do Canal) é um jovem trabalhador que descobre a identidade do pai ausente, quando conhece as suas meias-irmãs, fato que o leva a questionar a sua própria identidade às vésperas de completar 28 anos. Morando em Rio Doce, na periferia de Olinda, região metropolitana do Recife, ele luta para encontrar seu lugar no mundo. Nesse processo, ele fortalece laços afetivos, transformando assim sua forma de ser e de ver o mundo.
A narrativa foca em Okado, por justamente explorar as diversas dinâmicas de uma rotina difícil e de fácil reconhecimento. Ele transita entre os diversos sentimentos, e pela rotina dura de seu personagem.
Como temos um filme com fácil empatia, embarcamos na história com facilidade, afinal o reconhecimento é simples, seja na rotina dura, a necessidade de buscar o melhor para sua família e em um momento ímpar, pode ter a sua vida mudada, pois agora faz parte de uma nova família.

Além da história, o diretor usa das cenas e diálogos alongados para um dinamismo ímpar. E temos muitos detalhes sendo colocados para ajudar nas camadas do protagonista, e suas novas relações.
Essa nova família, é coadjuvante, já que o roteiro prefere mostrar sempre a opinião do protagonista, sem excessos. Há uma transição simples entre os temas, seja pelos locais e com pequenos detalhes.
O uso de Rio Doce, traz uma leveza tanto na história, e todos parecem leves nas transições e confortáveis no que contam. E fugir dos grandes centros, dos pontos turísticos para focar em um tipo de história, sem precisar de grandes paisagens, e sim dos grandes centros urbanos.
E por ter um protagonista que preenche a tela com facilidade, as relações dele são para explorar os núcleos que ele está inserido e sua forma de lidar com cada problema que lhe é apresentado.
Tiago pode até ser uma amálgama de vários tipos de pessoas, e isso facilita a nossa conexão com ele, com cautela e até mesmo calma para cada nova informação. E mesmo em um filme curto, o longa se propõe a explicar cada novo momento.

Rio Doce é um filme sobre história, de um protagonista, que está ciente que seu progresso depende apenas dele, e que as pessoas que o envolvem são os apoio que precisamos na jornada, e que devemos respeitar os limites do corpo e mente a cada nova intempérie.
E ver os personagens livres, focados na história, sem grandes malabarismo técnicos, serve para nos mostrar como a trama sempre prevalece nos filmes que nos marcam de alguma forma.
Nota: 3/5
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Um comentário em “Rio Doce | Crítica”