Cinema

A Porta ao Lado | Entrevista Julia Rezende

“Cada personagem precisa existir em si, mesmo tendo surgido a partir de um pensamento sobre o casal, o par” diz Julia Rezende, a diretora de A Porta ao Lado que chega aos cinemas no dia 09 de março.

Com uma temática que aborda os limites de um relacionamento, fidelidade, traição, amor e paixão, o filme traz a história do encontro dos casais Rafa (Dan Ferreira) e Mari (Letícia Colin), que vive um casamento monogâmico e estável, e Fred (Túlio Starling) e Isis (Bárbara Paz), que mantém uma relação aberta. A proximidade com os novos vizinhos desperta em Mari uma série de desejos e dúvidas, e o encontro dos quatro faz com que todos repensem suas escolhas.

Eu conversei com a diretora do longa Júlia Rezende (Depois a Louca Sou Eu) sobre as filmagens e principalmente o processo de balancear os quatro personagens e carga emotiva de cada um deles

Bruno: Como é pensar em um filme que você tem que entender os personagens separados inicialmente, e aos poucos ir unindo suas narrativas?

Júlia Rezende: O roteiro desse filme nasceu de indagações a respeito de traição, fidelidade, acordos conjugais, sexualidade. Então desde sempre partimos de pares e não de personagens individuais. Como este casal que está chegando aos 30, vivendo um casamento tradicional e monogâmico se sente ao encontrarem um outro casal que vive num acordo muito diferente do deles, em que os desejos e as liberdades são atendidos com muito mais abertura? A partir desta ideia fomos desenvolvendo os personagens e aprofundando suas tramas.

Bruno Cunha: Os personagens representam sentimentos diversos, e na montagem final, como é pensado o balanceamento de tudo isso?

Júlia Rezende: Cada personagem precisa existir em si, mesmo tendo surgido a partir de um pensamento sobre o casal, o par. Quando cada ator entra no projeto, e traz seu processo de criação, seu olhar, sua sensibilidade, os personagens vão ganhando forma e força. Cada personagem se impõe ao longo da narrativa e a montagem costura tudo isso.

Bruno Cunha: O filme tem uma carga emotiva que muda de direção de acordo com o personagem, ao gravar, há algum cuidado especial?

Cada personagem traz sua própria carga emocional e fazemos um trabalho de leituras e ensaios na etapa de preparação para que os atores estabeleçam conexões e vínculos. Quando os atores encontram a verdade dos seus personagens tudo flui e podemos navegar pelos diversos caminhos que a narrativa propõe sem nunca sair do trilho.

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