Filme traz um momento da história da ditadura chilena, e apenas isso. Ao menos compensa com uma boa trama. Confira a crítica completa.

A ditadura chilena (1973-1990) possui marcas na américa latina até hoje, mas e se um atentado contra Augusto Pinochet (1915-2006) fosse bem sucedido? Haveria mudanças na história? O Chile estaria em outra posição? Estes pensamentos passam pela cabeça de um grupo de jovem, matar o ditador em um atentado.
O longa escrito e dirigido por Juan Ignacio Sabatini (Zamudio) traz este momento para a sua narrativa, mas um pouco diferente do que esperamos. Ele pretende primeiro, trazer o grupo para luz e depois o atentado.
Isso carrega o filme com sentimentos, pois ele se preocupa em dar um passado para quase todos do grupo, e principalmente suas motivações, e como eles pensaram em algo tão extremo e violento. Isso ajuda na construção das personas e sua forma de se ligar com o grupo.
Mesmo com o protagonismo de Daniela Ramírez, o grupo é apresentado aos poucos, onde temos as suas histórias, principalmente as relações com outras pessoas, como família e filhos. Algo raro neste tipo de filme, afinal o ato acaba sendo o motivo principal.

E por justamente focar neste grupo, perdemos a narrativa histórica onde estamos inseridos, pouco se fala das torturas, violências e prisões da época. Se não ocorreu com o grupo, mal sabemos. As relações interpessoais tem prioridade.
Temos uma narrativa principal interna e ligada ao grupo, que é interessante, mas falta o redor deles, de mostrar o momento específico em que tudo ocorre, por mais que seja algo que conhecemos de alguma forma. Faltou o entorno, para dar o peso histórico.
Há a tensão de cenas para a construção de tudo, porém não há uniformidade, temos momentos de grande agitação, e outros que caberiam isso, mas não são explorados da forma esperada. Tira o sentimento de urgência.
Além do bom grupo, o filme foca no lado militante, não há política ou militarismo em nenhum momento, como se olhássemos para apenas um lado, e como temos elementos explorados por eles, não há por que termos o outro lado. Não há sequer um rosto para Pinochet por vários atos. E aqui, funciona bem.

A base criada é boa e densa, porém falta um execução intensa nos atos seguintes, o longa se mantém na parte estrutural tempo demais, e pouco traz a ação para perto, como a sensação que alguém do grupo pode não sobreviver.
O diretor também faz uma montagem que mistura imagens da época com o que ele filme, como se fosse um pano de fundo ao que vemos, com alguma precisão de fatos. E mesmo com o drama do grupo, tentando dar agilidade, mas não funciona bem,
A violência que se imagina como algo importante em um filme sobre ditadura, é colocado em momentos pontuais e contidos, para o peso dramático, que mesmo sendo rápidos agregam a trama, e mesmo que o filme pouco aborde, ela está lá.
O roteiro se preocupa não só com o passado do grupo, mas com toda a linha temporal de todos, para antes, durante e depois do atentado, temos as subtramas e os desfechos para cada um. A mesma preocupação que se vê no começo, há também em seus finais. E com boas histórias ligadas a isso.
Morte A Pinochet é apenas um lampejo dentro da ditadura chilena, buscando um olhar diferente ao grupos contrários ao regime, mas mesmo com uma boa história, ele fica restrito às suas escolhas e pouco entretém.
Nota: 2/5
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