Confira a crítica De Quem É O Sutiã?
Sabe aquele conto de fadas onde há algo que une o casal? Como o sapato de cristal da Cinderela que conecta príncipe e plebeia, aqui o unirá os dois será um sutiã, mas a possível similaridade começa no título e termina aqui, a narrativa de Veit Helmer é mais abrangente que isso.
O começo do longa é para conhecermos Nurlan (Miki Manojlovic) um maquinista que faz suas últimas viagens antes de aposentar, em uma dessas viagens, como o trem viaja muito próximo das moradias, objetos ficam presos ao vagão condutor, mas dessa vez um sutiã fica preso e o condutor quer encontrar a mulher dona daquela peça.
Em um filme sem diálogos, o diretor usa as expressões corporais dos atores e uma fotografia que remete a realidade de pessoas que acabam vivendo nas linhas férreas, claro que essa ausência de falas incomoda inicialmente, mas conforme somos mergulhados na narrativa, o espectador se acostuma com este fato rapidamente.
Outro fato interessante é justamente pelo fato do filme não utilizar essa peça íntima como pretexto para nudez ou insinuações sexuais, percebe-se a cada cena o cuidado que se tem em contar um boa história, seja nos detalhes de luz ou em cenários que refletem bem o cotidiano, focando nas expressões faciais e corporais dos atores e atrizes.
O roteiro do diretor sabe ser suave, melodramático e envolvente na medida certa, sabendo lidar com o cotidiano da paisagem cotidiana de um lugar simples, ao fazer isso, ele traz uma nova atmosfera, com uma abordagem diferenciada e bem ponderada.
A fotografia acima da média, ajuda no processo de imersão, deixando as relações reais, mostrando as diferentes classes sociais, explorando com maestria as locações usadas.
Nota: 4/5

