Confira a crítica de ‘Morto Não Fala’
Um dos terrores nacionais que chamou atenção nos últimos anos, participando de alguns festivais de cinema, foi ‘Morto Não Fala’ (The Nightshifter) de Dennison Ramalho que mostra Stênio (Daniel de Oliveira) um homem que trabalha no período noturno/madrugada no IML (Instituto Médico Legal) em um bairro violento de São Paulo.
O protagonista tem o dom de se comunicar com os mortos que recebe no trabalho, com isso ele descobre informações pessoais como o caso da sua esposa Odete (Fabíula Nascimento) com o dono da padaria do bairro Jaime (Marco Ricca). Depois de confirmar as informações com os mortos, ele planeja matar Jaime e não transparecer seu dom as filhos Ciça (Annalar Prates) e Edson (Cauã Martins).
Mesmo se baseando em conceitos irreais para contar sua história, o roteiro do próprio diretor e de Cláudia Jouvin (Sob Pressão) também aproveita a narrativa para mostrar de como lidar com a morte diariamente altera o comportamento humano e total falta de capacidade de Stênio lidar com pessoas, vivas ou mortas.
Daniel de Oliveira (Stênio) em cena
Foto: Divulgação – Pagu Pictures
O filme deixa claro quando o personagem está vivo ou morto, principalmente morto, são usados CGI e efeitos visuais nas feições dos cadáveres para dar mostrar os diálogos, esse é o principal problema do longa, aqui a qualidade é baixíssima e em algumas cenas falta sincronismo, se for proposital é uma escolha estranha, mas deve ser falta de recursos.
A história consegue abordar as diversas faces da loucura que uma pessoa pode adquirir com uma rotina pesada e é bem explicativo em diversos momentos, com destaque aos atos finais, sem deixar nenhuma dúvida, mas deixa o filme longo, mas não perde em qualidade.
Os elementos de terror preenchem a narrativa, desde o gore clássico que submergem os personagens em sangue, aos já comuns jumpscares bem coreografados que parecem retirados de It: A Coisa e Invocação do Mal, mas ficam como homenagem e referências visuais apenas, com exceção dos CGI’s tudo aqui tem um motivo para ocorrer.
Cena do filme
Foto: Divulgação – Pagu Pictures
O balanceamento entre o fantasioso e real é bem abordado, de formas distintas, algumas vezes é brutal, algumas vezes um diálogo resolve a situação e ajuda o entendimento. Ele é uma aula de como resolver diversos problemas de formas diferentes, pena que peca no CGI, mas tirando isso ele é um competente filme de terror nacional.


