Confira a crítica de Kardec
A narrativa do homem que passou de incrédulo a um dos pilares do espiritismo é mostrado no filme Kardec, do mesmo diretor (Wagner Assis) de Nosso Lar, outro longa com essa temática.
Hypoolyte Léon Denizard Rivail (Leonardo Medeiros) tem um vida simples com grande responsabilidade em Paris onde ele tem o trabalho de resolver diversos problemas pedagógicos em toda França e com isso ele tem uma fama que o precede, ou seja, ele tem respaldo pela sociedade acadêmica.
Ele percebe o espiritismo como charlatanismo, como uma forma fácil de fazer dinheiro; Ele tenta então provar isso a cada forma, porém ao fazer isso ele percebe a mística por traz de tudo e começa a pesquisar sobre o assunto.
Leon e sua esposa Amélie (Sandra Corveloni) não mudaram sua forma de vida quando eles começam a seguir por este caminho. E Kardec usa isso durante o filme como justamente uma forma de abordar superação, crenças e aprendizado. Afinal não é fácil provar algo quando você pensa diferente da maioria das pessoas.
Leonardo Medeiros (Leon) e Sandra Coveloni (Amélie) em cena
Foto: Divulgação – Atômica Lab
Inclusive isso repercute na sua família, temos cenas de filhas sendo chamadas de bruxas, sendo açoitadas na escola e sofrendo diversos problemas na vida pessoal e de estudante. Isso a cinebiografia faz com maestria mostra bem os dois lados e se alicerça na imagem de Leon.
O interessante no filme são as discussões que são tão atuais que muitas vezes não parecem de vindas de uma Paris de outrora, mesmo que não se identifica com essa religião irá encontrar em Kardec uma abordagem entre o certo e o errado, sobre aceitar as escolhas do outro e respeito mútuo.
Kardec faz algumas escolhas técnicas para explicar sua história de uma maneira interessante e podemos observar isso na cena inédita que recebemos, nos momentos que Leon mostra os conceitos do espiritismo há mudanças no local, como uma luz mais clara que preenche bem os ambientes e em momentos mais duros do longa percebe-se o uso de ângulos mais fechados para dar a ideia de sufocante.
O som também é primoroso, mesmo sendo boa parte orquestrado e usado em algumas partes do longa, ele consegue melhorar uma cena já boa e trazer toda uma atmosfera diferente ao filme facilitando momento de empatia com o espectador.
Kardec não é só uma cinebiografia ele também fala de intolerância religiosa, afinal Leon foi excomungado da igreja católica e foi perseguido pela mesma. O filme também serve para discutir um tema que é muito atual de forma real que até parece retirada de algum momento de 2019.
O longa é acima da média e é obrigatório para adeptos do espiritismo por mostrar “dados iniciais” da religião e também serve discutir diversos pontos importantíssimos na nossa sociedade.

