Confira a crítica de Vidas Duplas
Confira a crítica de Vidas Duplas
No novo filme de Olivier Assayas (Personal Shopper) somos apresentados um editor Alain (Guillaume Canet) que está se adaptando a nova realidade editorial, onde o virtual ganha o espaço referente aos livros. Ele recebe de um escritor e amigo Leonard (Vicent Macaigne) seu próprio texto repaginado para um novo estilo de escrita. Trazendo a Alain dúvidas e certa insegurança para o lançamento de seu livro.
Os dois vivem problemas nos seus relacionamentos, em que ambos possuem casos extraconjugais, somados a problemas no trabalho. O primeiro ato é pra tentar justificar todas essas decisões, principalmente pela rotina pesada e diferenciada de ambos.
Isso não justifica os casos, mas o roteiro do próprio Olivier tenta humanizar os personagens e criar empatia, os espectadores podem concordar ou discordar de suas atitudes, mas não podemos dizer que a história mostrada não é real ou ficcional demais. Toda a boa história mostrada em Vidas Duplas é um drama familiar que pode ocorrer em qualquer lugar do globo.
Guillaume Canet (Alain) e Vicent Macaigne (Leonard)
Foto: Divulgação – Califórnia Filmes
A parte técnica não é primor, porém os cenários, onde a história é montada, são reais. Temos aqui duas vidas diferentes e unidas pela escrita, os personagens são apresentados em contextos diferentes, apresentando formas de vidas distintas, e isso faz com que a história real transcorra sem nenhum grande problema.
Ao desenrolar das histórias de cada personagem, finalmente somos apresentados as mulheres do longa que diferentemente dos homens, não possuem apenas os conflitos entre a vida pessoal e profissional. Elas como boas representantes do sexo feminino vão além dessa vida dupla, ela é tripla ou quádrupla, e mesmo assim elas se mantêm fiéis as histórias construídas junto a seus maridos.
As atrizes Juliette Binoche (Selena) e Nora Hamzawi (Valérie) corroboram com o bom filme que é Vidas Duplas, elas entregam uma ótima interpretação que complementam toda a história apresentada, elas são o contraponto e o roteiro usa suas boas atuações para fazer as mudanças de atos e movimentam a história.
Juliette Binoche (Selena) e Guillaume Canet (Alain)
Foto: Divulgação – Califórnia Filmes
Transformação também é a chave deste longa, os personagens, sem exceção, transformam-se ao longo da narrativa. Tal modificação pode se apresentar tão marcante, chegando até mesmo ser oposta a aquela vista inicialmente. Sem se apoiar em clichês de comédias românticas ou dramas.
Vidas Duplas é sobre relações humanas e decisões que temos que tomar, várias destas decisões são questionáveis e trabalham as escolhas dos personagens ao longo de seu conto. Você deve ver esse filme e perguntar sobre este para outras pessoas, talvez as respostas o surpreenda, porque o filme gera esse tipo de discussão e você pode encontrar pessoas que concordam e discordam das ações apresentadas na telona.
Texto elaborado por Bruno Simioni
Edição: Maytê Toledo
Contato: naoparecemaseserio@gmail.com


