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| Raiva | Crítica

Confira a crítica de Raiva

O longa adapta a obra de Manuel da Fonseca, Seara de Vento (1958), onde elementos naturais como vento, chuva e seca fazem parte da história contada. Inclusive para evidenciar estes elementos, este filme é em preto e branco.

O diretor Sergio Tréfaut (Treblinka) usa Seara com a grande referência, temos aqui uma adaptação literária digna de acompanhar na telona, a forma como o livro apresenta os personagens da mesma forma (mais simplista) que no livro.

A forma como os elementos naturais são tratados aqui diferentes do que estamos acostumados, quando os personagens discutem algo como morte ou doença, são diálogos pesados, duros e intensos, quando o tema é mais leve, até mesmo a luz da cena muda.

A realidade de Raiva é difícil, afinal falamos de um grupo de camponeses isolados da grande cidade e todos seus problemas devem ser resolvidos entre eles, e os assassinatos mostrados acabam indo pro mesmo caminho.

Hugo Bentes faz o protagonista em Raiva
Foto: Divulgação – Pandora Filmes

Temos aqui personagens introspectivos, como no livro, então não espere grandes atuações, Raiva vale a visita ao cinema pela sua montagem e resultado final, não há aqui um grande aproveitamento do elenco, talvez seja proposital, afinal a atmosfera que Raiva cria é muito maior que atuações individualizadas.

Tudo tem sua explicação e seu motivo pra acontecer aqui, o vento, por exemplo, é uma metáfora de mudança, pois ele é o único elemento “solto” durante todo o longa, e ataca ou muda a vida de todos na história, não importa qual núcleo ou subtramas que estamos falando.

O filme é duro, linear, com poucas falas, mas as ações são bem utilizadas, mostrando que tudo tem um limite e que muitas vezes quando alcançamos estes limites as situações fogem ao nosso controle.

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