Cinema, Crítica de Filme

| Águas Selvagens | Crítica

Águas Selvagens mostra um mistério denso, mas falha em trazer detalhes para manter o espectador, mesmo com uma boa história. Confira a crítica completa.

No filme, o investigador Lúcio Gualtieri (Roberto Birindelli) aceita um trabalho para solucionar um crime cometido na fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai, ele se vê perseguido por uma organização criminosa envolvida em uma trama macabra de assassinatos. Ao descobrir uma verdade obscura que coloca em prova todas as suas crenças, o ex-policial precisará enfrentar seu passado conturbado, enquanto tenta sobreviver aos perigos dessa zona de águas selvagens.

O filme dirigido por Roly Santos traz um protagonista imperfeito, nada de um salvador ou de alguém que pode salvar o dia sem problemas. Lúcio é apenas um homem que quer pagar os boletos e seguir com sua vida. O roteiro entende essa alteração como algo a ser trabalhado, como se falasse que o ser humano tem seus problemas.

O protagonismo de Lúcio é a praxe para qualquer crime, afinal queremos vê-lo resolver. E temos toda a rotina voltada para sua persona, não há espaço para um auxiliar ou uma segunda trama. O foco é Guarnieri e sua busca pela assassino.

Temos uma narrativa longa que se preocupa em trazer os elementos ao redor do protagonista para a trama. Isso se justifica apenas nos atos finais, nos primeiros temos apenas introduções primárias que mal modificam a história. Entendemos suas modificações apenas nos momentos finais.

Esse acaba sendo o grande problema de Águas Selvagens de tirar do protagonista alguns elementos e sua capacidade de resolução. Não há aquele momento onde o espectador entende o dilema, e esperamos apenas seu fechamento

Essa secundariedade fraca acaba trazendo pouca proximidade do espectador, afinal estamos presos ao protagonista, o que não seria um grande entrave, caso não mostrasse elementos fora da investigação. Faltou unir os dois planos, já que acompanhamos ambos. 

A investigação acontece em na tríplice fronteira entre países latinos, então percebemos um misto de emoções, linguagem e comportamentos, o que faz sentido para a trama, mas todos falarem todos os idiomas apresentados foi um deslize.

Como o protagonismo é algo importante aqui, Roberto Birindelli mostra um protagonismo imperfeito, mostrando que todos temos uma imperfeição em nossas vidas. Essa sensação de que Lúcio não é um homem bom, permeia a trama e apenas em momentos chaves entendemos suas motivações.

A evolução dos fatos é lenta e contemplativa para uma filme com essa duração, mas sabe indicar os resultados corretos e com amplitude necessária, fazendo com que entendamos como o filme se encerra; Como vamos descobrindo com o protagonista, nada é tão diferente.

Essa imperfeição é o grande destaque do filme, por mais que ele siga um caminho comum, é bom ver um protagonista que precisa resolver seus problemas para pagar os boletos e não para fazer justiça, mas poderia ter uma história melhor.

Águas Selvagens consegue entreter no início da narrativa, mas tropeça em pontos importantes para seguir adiante, e com dificuldade de explorar os personagens secundários com firmeza, acabam tendo momentos de desperdício de bons atores em cena.

Nota: 2/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

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